Estou em frente à uma máquina de fliperama cheia de desenhos e ilustrações.
Em seu letreiro, luminoso e colorido, está escrito VIDA.
Meu bolso direito não está pesado, mas creio que nele eu guarde inúmeras fichas.
Não sei quantas fichas tenho, e só descubro se tenho quando boto a mão no bolso para procurar.
Passo a eternidade na frente dessa máquina, repetindo tudo novamente.
De vez em quando aparece um player dois. Uma segunda jogadora, que me acompanha nessa aposta.
Parece ser útil, parece durar, e então o jogador dois vai para casa.
Fico sozinho com a máquina novamente, e a ficha cai.
Cai do meu bolso e faz um barulho único no chão.
E é aqui que encontro a escolha. Sinto vontade de deixar a ficha ali e sair do cassino.
Passar por suas enormes portas duplas sem olhar para trás.
E decidido, após pensar muito, eu chuto a ficha para baixo da máquina. Esqueço de sua existência.
Limpo o suor frio da testa e os pensamentos ruins da mente.
Enfio a mão tremida e fraca no bolso direito e espero alcançar mais uma ficha.
Sinto seu toque metálico e a tiro para fora do bolso, entregando-a à maquina.
Lentamente, a ficha rola para dentro.
Então ouço um apito, um toque familiar, que sinaliza que devo voltar ao jogo.
Volto a me concentrar, jogando sozinho, ganhando e perdendo pontos.
Avanço na jogatina, ignorando as palavras em amarelo que piscam em algum lugar da máquina.
Sem ninguém, vou em frente, sem me preocupar com os futuros níveis.
E lá, do outro lado da mesa, as mesmas palavras começam a ser novamente notadas por mim.
E então me ponho a pensar.
Quando será que esse "P2 - INSIRA A FICHA" se tornará um "01 CRÉDITO"?
Bem, continuarei jogando até as minhas acabarem.

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