domingo, 26 de abril de 2015

Quanto de humano

Autora convidada: Kathryn Lanna


Impressiono-me a cada dia que passa com o ser humano. Ego? Medo? Âmbito? Egoísmo? Ou seria tudo junto e misturado? Onde foi parar o amor para com o próximo? E a compaixão?
Quantas vezes você já não passou por um desabrigado, um menininho ou “mendigo” pedindo algo na rua? Você deve estar pensando “Aaaah várias, com o país em que a gente vive...”. Agora eu te pergunto, quantas vezes você já ajudou algum deles? Dessa vez você deve ter parado pra pensar um pouco. Uma? Duas? Nenhuma? “Se eu der dinheiro eles vão gastar em droga, o Brasil não tem mais jeito não”.
Uma vez andando pelo Méier, entrei em uma daquelas lojinhas onde vende de tudo e me deparei com um menininho de sete anos de idade pedindo algo às pessoas. Como você acha que elas reagiram? Torceram a cara, não responderam, olharam com um olhar de descriminação e pior, seguraram seus pertences. Desliguei-me um pouco da cena e fui ver se eu achava o que procurava, quando escuto aquela voz meiga e gentil. “Tia, você poderia me comprar essa blusa?”. Viro-me e está lá, aquele menino me olhando com aqueles olhinhos brilhantes e com uma camisa na mão. Mas eu não tinha dinheiro suficiente para lhe comprar a camisa, até que uma senhora que aparentava ter uns 60 anos veio até mim para perguntar se ele estava me incomodando, então lhe expliquei a situação. Na mesma hora, a senhora puxou da carteira uma nota e juntou com o meu dinheiro. Virou para o menino e disse, “Vá até lá e escolha duas camisas e um short”.
Só de ver a cara de felicidade do menino meu coração já se encheu de luz, uma sensação boa tomou conta de mim. Não tinha mais nenhum dinheiro, mas estava feliz porque fiz alguém feliz.
Outro dia fui com meu pai e minha irmã ao McDonald’s, coisa normal de fim de semana. Mas nesse dia específico algo me chamou a atenção. Ao passarmos pela porta do estabelecimento havia um menino, que aparentava ter a minha idade, sentado no chão. Na mesma hora minha fome diminuiu. Como eu poderia ter uma abundância de comida como aquela e ele não? O que nos difere? Peguei meu lanche e comi meu hambúrguer devagar pensando no menino. Nem tocar nas batatas cheguei a tocar. Meu refrigerante? Só um terço vazio. Perguntei a meu pai se poderia comprar mais um hambúrguer. “Por que, minha filha, ainda está com fome? Nem comeu suas batatas”.
Respondi-lhe que queria levar para o menino. Ele me olhou com um olhar de negação e depois de um tempo ao perceber que não fiquei muito feliz, disse-me para dar minhas batatas e meu refrigerante. Quando saímos tinham mais dois pequenos junto a ele. A empolgação dos meninos ao pegar a batata e o copo foi tão grande que deve ter aparecido um sorriso no meu rosto. Você faria o mesmo? Onde está sua compaixão? Onde está seu lado humano? Já pensou que você é quem muda o mundo? Não, não é só mais um clichê de “paz e amor”. Realmente pare e pense. Do que adianta você reclamar quando não se faz nada pra mudar?
E então, quanto de “humano” sobrou em você?

Um comentário:

  1. Bonito texto! A compaixão não existe mais nos projetos das pessoas! E se tornam projeto de gente!

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